Arara-azul tenta aprender a voar após ter sido resgatada em Mato Grosso

Arara-azul resgatada em Mato Grosso (Foto: Lenine Martins/Sesp-MT)Arara-azul resgatada em Mato Grosso 

Uma arara-azul, ave que já foi considerada ameaçada de extinção, tenta aprender a voar e a se equilibrar após ter sido resgatada em Mato Grosso. Ela está os cuidados da equipe do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, desde o dia 18 de março. Atualmente, é considerado o animal mais raro entre os que estão no local.

A arara está saudável e foi doada por um morador que entrou em contato com o Batalhão. “Ele ligou, disse que tinha interesse em fazer a doação e então fomos até lá. Essa ave é rara, está quase em extinção”, disse o tenente-coronel, Rodrigo Eduardo Costa, comandante da unidade.

O tenente-coronel conta que a ave é muito dócil e já é adulta. Mas, como foi criada em cativeiro, tem algumas sequelas. O trabalho agora, feito em parceria com biólogos e veterinários da Sema (Secretaria de Meio Ambiente) e voluntários, é para que a arara possa desenvolver habilidades típicas, como voar para conseguir alimentos, a fim de qe possa ser levada de volta para a natureza.

“Ela ainda não consegue fazer isso. Falta equilíbrio tanto para andar como para voar. Ela não tem a agilidade de uma arara normal, os movimentos são mais lentos”, disse.

Animais resgatados
Entre 1º de janeiro a 19 de março deste ano, o Batalhão de Proteção Ambiental fez 159 resgates de animais, sendo que 70 foram devolvidos à natureza. Somente em 2017, por exemplo, os policiais resgataram filhotes de onça-pintada em Querência e Paranatinga. A maior parte dos animais resgatados foi vítima de maus-tratos, segundo a polícia.

Onça-pintada resgatada em MT (Foto: Lenine Martins/Sesp-MT)
Onça-pintada resgatada em MT

Outras espécies que estão no Batalhão são macacos, papagaios, cobras, maracanãs, periquitos, gaviões, falcão, coruja, graia azul, canário da terra e veado.

Os primeiros cuidados são feitos pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres. Depois, os animais passam por tratamento médico e de reabilitação.

Porém, alguns chegam ao Batalhão tão debilitados que não têm condição de serem desenvolvidos para a natureza. Dois exemplos são um tamanduá cego e uma arara que não consegue mais voar.

Aqueles que podem ficar no Batalhão acabam permanecendo por lá. Mas aqueles que não podem ficar são doados para pessoas físicas ou instituições como ONGs. Os interessados em adotar um animal podem procurar a própria unidade ou a Sema.

As espécies resgatadas variam de acordo com o período do ano, explica a polícia. No período chuvoso é mais comum haver resgate de serpentes, marsupiais e mamíferos. Entre setembro e outubro, são mais frequentes resgates de aves em fase de procriação, como as araras, papagaios, periquitos. Esses alvos são mais escolhidos pelos traficantes.

Efetivo e parcerias
Atualmente, o batalhão tem 200 policiais militares, distribuídos em Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres, Rondonópolis e Barra do Bugres, municípios que abrangem diversidades de rios, áreas do pantanal mato-grossense e áreas de fronteira propensa ao tráfico de animais silvestres.

Entre as principais instituições parceiras da unidade estão a Sema, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), a UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), a Universidade de Cuiabá (Unic), o Ministério Público e o Juizado Volante Ambiental.

Os telefones do Batalhão de Proteção Ambiental para denúncias são (65) 3684-4244 e (65) 99987-4024.

Fonte: g1.globo.com

Fotos: Lenine Martins/Sesp-MT